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O uso da artéria radial na revascularização do miocárdio

Revascularização do miocárdio tem sido objeto de intenso estudo e desenvolvimento. O primeiro procedimento documentado de aumento da perfusão miocárdica foi a técnica de Vineberg, com implante direto da artéria torácica interna no miocárdio.

Dois avanços tecnológicos possibilitaram o amplo uso da cirurgia de bypass cardiopulmonar: a arteriografia coronária descrita por Sones e o desenvolvimento da circulação extracorpórea, por Gibbon.

A partir da década de 1960, o enxerto aortocoronário com veia safena foi inicialmente empregado e posteriormente difundido. No final dos anos 60 enxertos arteriais com artéria torácica interna passaram a ser utilizados.

Devido aos excelentes resultados na patência em longo prazo dos enxertos arteriais, novos tipos de enxertos são pesquisados para serem adaptados à cirurgia de revascularização do miocárdio.

Embora os enxertos arteriais tenham sido utilizados desde o princípio desta cirurgia, os resultados iniciais foram insatisfatórios. Espasmo per-operatório e subseqüente hiperplasia intimal focal foram as possíveis causas de falência do enxerto.

                     

Estudo recente, entretanto, mostra uma melhor patência do enxerto, provavelmente atribuído à redução de espasmo pelo uso de antagonistas dos canais do cálcio (8). Novos estudos continuaram a mostrar boa patência do enxerto, iniciando nova era no uso da artéria radial como enxerto em cirurgia de revascularização do miocárdio.

As taxas de patência precoce (dentro de seis meses) e patência perfeita da artéria radial são em torno de 98,1% e 90,8%, respectivamente. Seu uso não parece aumentar a incidência de complicações no pós-operatório.

Em recente estudo realizado na Universidade de Toronto, ao se comparar o grupo que recebeu artérias torácicas bilaterais com grupo que recebeu artéria torácica interna esquerda e artéria radial, os autores observaram que o grupo que recebeu a artéria radial apresentou menor incidência de infecção de esternotomia e uma tendência a menor uso de hemoderivados que o grupo que usou artérias torácicas bilaterais. Complicações relacionadas ao enxerto radial são muito baixas e a isquemia pós-operatória do braço é incomum.

Os estudos de seguimento mostram uma patência de médio prazo (6-36 meses) de 93,3% para todas as patências e de 78,8% para patência perfeita. Dois estudos avaliaram a patência em cinco anos e encontraram resultados animadores. Patência perfeita de 82,8% e 87,1%.

Interessantemente, ambos os grupos demonstraram, em um número pequeno de casos, um resultado angiográfico perfeito em médio prazo, apesar de um estreitamento da mesma artéria radial em uma análise precoce.

Em resumo, a artéria radial pode ser utilizada com sucesso em cirurgias de revascularização do miocárdio e tem se tornado a segunda opção para enxertos arteriais, após a artéria torácica interna esquerda, devido à facilidade de dissecção e manuseio.

Ela tem expandido as possibilidades de revascularização completa, podendo ser utilizada em composição em Y com artéria torácica interna ou veia safena ou utilizá-la isoladamente com anastomose proximal diretamente na aorta.